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Eficiencia, entendida aqui entre nós como menos desperdícios.

Convivemos com um desperdício incompreensível para um País onde muitas pessoas vivem em situação de risco. Dentre eles, meu foco é a melhoria de desempenho das redes de infra-estrutura urbana. Sòmente na área do Saneamento Básico, que se considera a rede de água, esgoto, drenagem e a coleta e tratamento do lixo, melhorias na qualidade de vida que se estima em R$1 Bilhão/ano foi registrada pela FGV-Fundação GetúlioVargas e Instituto Tatra ( julho, 2010), além de evitar a morte de mais de 1.000 pessoas. A rede de vias públicas insuficientes e com manutenção precária, afeta o sistema de transportes de materiais e de pessoas, com congestionamentos, poluição, desperdício de energia e principalmente consumindo o tempo das pessoas que poderia ser dedicado à sua melhoria de qualidade de vida.

Eficiencia, entendida aqui entre nós como menos desperdícios.

Convivemos com um desperdício incompreensível para um País onde muitas pessoas vivem em situação de risco. Dentre eles, meu foco é a melhoria de desempenho das redes de infra-estrutura urbana. Sòmente na área do Saneamento Básico, que se considera a rede de água, esgoto, drenagem e a coleta e tratamento do lixo, melhorias na qualidade de vida que se estima em R$1 Bilhão/ano foi registrada pela FGV-Fundação GetúlioVargas e Instituto Tatra ( julho, 2010), além de evitar a morte de mais de 1.000 pessoas. A rede de vias públicas insuficientes e com manutenção precária, afeta o sistema de transportes de materiais e de pessoas, com congestionamentos, poluição, desperdício de energia e principalmente consumindo o tempo das pessoas que poderia ser dedicado à sua melhoria de qualidade de vida.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

INUNDAÇÃO E ILHA DE CALOR - Por Eng. Plinio Tomaz

Recebi este texto muito simples e interessante. Obrigado Plinio, estou divulgando.

As enchentes e o período de retorno


Um dos grandes problemas para o controle de enchentes, é definir a
probabilidade das precipitações com que vamos dimensionar as obras de

microdrenagem e macrodrenagem.

Os hidrologistas chamam isto de freqüência ou período de retorno.

O período de retorno de 100anos, significa que temos a

probabilidade de 1% em um ano, de que a obra que dimensionamos, não

suportará a vazão de projeto.

O dimensionamento de rios e córregos deve ser feitos para período

de retorno de 100anos. Isto foi feito no Japão logo após a 2ª guerra mundial

e nos Estados Unidos em 1976.

No Brasil podemos observar, que em muitos rios e córregos não

foram dimensionados para período de retorno de 100anos e causam

inundações frequentes (culpando São Pedro, que não tem nada a ver com

isto).

Nos países mais adiantados, quando um lote de terreno é comprado

para construir uma casa e se encontra próximo a um rio ou córrego, a

prefeitura fornece ao proprietário um mapa indicando até onde chega a

água de inundação devido ao período de retorno de 100anos: é o mapa da

curva dos 100anos.

Quando você vê que o seu lote está dentro da curva dos 100anos, é

obrigatório que se faça o seguro da casa e que atenda a algumas leis

municipais que obrigam que os objetos de valor estejam no andar superior

da casa.

Aqui no Brasil é comum as subhabitações de madeira construídas

perto dos córregos e rios, e o poder público faz construção de alvenaria de

tijolos dentro da curva dos 100anos de inundação.

O aumento do período do retorno não significa o aumento no custo

da obra. Assim se tomarmos período de retorno de 100anos ao invés de 25

anos, o custo da obra aumentará até 50%, com a vantagem de oferecer mais

segurança de vidas humanas e bens materiais.

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Um outro problema é a enchente localizada, devido as galerias de

águas pluviais, ou seja, a microdrenagem e que geralmente está

subdimensionada ou não foi objeto de manutenção.

Há muitos anos usava-se em microdrenagem, período de retorno de 2

ou 5 anos e, os mais cautelosos, usavam 10anos. Várias ruas centrais de

São Paulo foram calculadas com período de retorno de 10anos.

Um novo fenômeno começou a agir nas cidades acima de

100.000habitantes que é a “Ilha de Calor”. O sol, ao atingir o asfalto e

prédios, faz com que haja um aumento da temperatura das cidades em mais

de 10ºC em relação aos sítios da periferia. Este aumento da temperatura faz

com que as intensidades das chuvas de curta duração: 5 a 15min, aumentem

consideravelmente. Isto causa problema nos dimensionamentos das calhas,

condutores horizontais e verticais e no sistema de microdrenagem. A “Ilha

de Calor” é uma mudança climática local e não faz parte das mudanças

climáticas gerais que não estamos levando em conta devido às incertezas

existentes para o Brasil.

A solução em microdrenagem é usar período de retorno mínimo de

25anos e, conforme o lugar, onde há hospitais e prédios públicos

importantes, o período de retorno poderá ser aumentado até 50anos.

A impermeabilização dos solos causou um grande impacto nas

cidades com aumentos das vazões, diminuição da vazão base dos rios e

impactos negativos no ecossistema aquático.

O objetivo dos países desenvolvidos é fazer obras para voltar ao

ciclo hidrológico natural, isto é, fazer com que a água se infiltre no solo,

compensando assim as áreas impermeabilizadas e que o escoamento

superficial seja detido ao nível do pré-desenvolvimento. Embora pareça um

sonho, já dispomos de tecnologia adequada para isto como trincheiras de

infiltração, bacia de infiltração, reservatórios de detenção estendido e

outras técnicas.

A tendência moderna no manejo de águas pluviais é controlar a

quantidade de água e a qualidade da água, tendo em vista a melhoria do

ecossistema aquático. Salientamos também a importância da melhoria da

qualidade das águas pluviais e não só o controle da quantidade.

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Outra técnica muito antiga usada pelos chineses, é o reservatório de

detenção que detêm as águas pluviais um determinado tempo e depois vão

devolvendo a mesma em uma vazão pequena de pré-desenvolvimento, de

maneira que não cause enchentes.

Estes reservatórios de detenção podem ser feitos dentro de um lote

de terreno ou podem ser regionais.

Um outro problema são os vertedores das pequenas barragens. As

barragens são dimensionadas com uma abertura chamada vertedor para o

escoamento de grandes chuvas para evitar que a água passe por cima da

mesma causando a ruptura do maciço. Conforme a altura da barragem, o

comprimento, o volume de água armazenada e o risco da população

existente a jusante, são estabelecidos os períodos de retorno que variam de

100anos a 1.000anos para as pequenas barragens.

No caso de rompimento de uma barragem forma-se uma onda de

água de enorme volume, parecida com um Tsunami e deverá ser feito mapa

até onde a onda de enchente poderá chegar e ser distribuído à comunidade

para fuga do local quando avisada pelas autoridades.

Para a quantidade de águas pluviais macrodrenagem deverá o projeto

ser feito para período de retorno de 100anos e o mínimo de 25anos para

microdrenagem.

Guarulhos, 1 de fevereiro de 2010

Plinio Tomaz

Engenheiro civil

pliniotomaz@uol.com.br

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